Turbo-helice
AVIÕES TURBO-HÉLICE SÃO SEGUROS?
O ATR usado pela Azul é considerado a aeronave mais avançada dessa categoria no mundo. Mesmo assim, é um avião que desperta o medo em passageiros pelo simples fato dos motores com hélices.
"O ATR possui radar meteorológico, equipamentos de voo com telas digitais, controles automáticos. Todos esses recursos também são usados nos jatos. É um avião extremamente moderno e seguro", contou o comandante Jacques Cardeal de Godoy Junior, que também é o gerente de operações e qualidade da Azul
Em relação ao motor a jato, a hélice proporciona maior tração no momento de aceleração inicial, no caso a decolagem. "Comparando com um automóvel, é como acelerar forte esticando a primeira marcha. Em ótimas condições, o ATR decola com metade da pista necessária para um jato", compara Godoy.
No entanto, a hélice tem o que os pilotos chamam de "restrição de velocidade". É como um carro muito bom em arrancadas, mas fraco em velocidade final. Jatos como o Embraer E190 e o Airbus A320 podem voar próximos dos 900 km/h, mas precisam de pistas mais longas. O ATR 72 alcança pouco mais de 500 km/h, mas aterra em pistas de 1,5 km.
O ATR foi desenvolvido a pedido de companhias na Europa por aeronaves para os chamados "voos regionais", que ligam grandes centros a cidades pequenas. Nesses casos, dependendo da demanda de ocupação e a estrutura aeroportuária disponível, não é preciso um avião de grande porte ou rápido, como um jato comercial. Desta forma, o turbo-hélice é uma necessidade do mercado e também um meio seguro do ponto de vista operacional.
Os aviões com motores turbo-hélice também voam em altitudes inferiores às dos jatos. Em voo de cruzeiro, o ATR 72 alcança cerca de 7.500 metros, enquanto um Boeing 737 ou um Airbus A320, viajam acima dos 10.000 metros. E entre essas altitudes, o comportamento da atmosfera apresenta algumas diferenças.
A regra é simples: quanto mais alto, menos denso é o ar e menor é a chance de ser acometido por uma turbulência. No entanto, voar em grandes altitudes é quase que uma exclusividade das aeronaves impulsionadas por motores a jato. O ATR, no caso, voa em uma faixa onde o ar pode ser mais "agitado", por isso as viagens nesse tipo de avião costumam balançar mais, quando comparada a performance dos jatos.
"Na atmosfera mais baixa, o ar é um pouco mais agitado. Além disso, diferentemente dos jatos, o avião turbo-hélice demora mais para alcançar a altitude de cruzeiro, por isso fica mais exposto a essas condições", explica o gerente da Azul.
A MAP voa para cidades no Amazonas, Pará e Rondônia com aeronaves ATR (MAP)
"Como todo projeto de aeronave comercial desse tipo, para ser homologado o ATR provou que podia voar com apenas um motor, no caso de uma emergência. Esse tipo de pane, porém, é muito rara de acontecer. De qualquer forma, o avião está preparado. Ao pé da letra, o aparelho pode voar nessa condição até ficar sem combustível. Mas antes disso ele já vai ter pousado em segurança", conta o comandante Fabio Peres Fernandes, piloto de ATR na Azul há cinco anos.

